terça-feira, 25 de setembro de 2012

JEITINHO BRASILEIRO



A presidenta Dilma recentemente sancionou a nova lei das cotas, o que mudará radicalmente o ensino público superior em nosso país. Como Dilma vetou apenas o 2º artigo, que determinava a seleção de alunos do sistema público por meio de um Coeficiente de Rendimento, isto é, a média de suas notas no ensino médio, uma em cada duas vagas nas universidades federais passará a ser ocupada por alunos que cursam o ensino médio em escolas públicas. Por esse diapasão, das 240.000 vagas disponíveis nas federais, 120.000 serão distribuídas para os alunos da escola pública, segundo a cor da pele ou a autodeclaração de etnia do examinado.

Ocorre que os critérios adotados pela nova lei desprezam o mérito e põe em risco a qualidade da pesquisa acadêmica nas universidades, comprometendo a produção de conhecimento. Isso porque, a grande maioria dos artigos publicados na esfera internacional são oriundos dos nossos centros universitários. Para o governo, é mais viável recorre ao jeitinho brasileiro, com o discurso de trazer oportunidade aos mais frágeis, buscando a igualdade no acesso à educação e, por outra banda, maquiando um dos problemas mais graves do país: a péssima qualidade das escolas públicas, tanto no ensino fundamental, quanto no ensino médio.

A única vantagem da nova lei é que através do sistema implantado, o acesso aos alunos vindos de escolas públicas para o nível superior fica garantido. O que corroborará um cenário onde alunos menos preparados terão acesso às universidades de melhor qualidade, o que atropela o mérito de um grande grupo de candidatos e baixa o nível de produção científica. Ora, para o governo brasileiro é mais fácil criar cotas do que investir no ensino básico de qualidade. ‘Se tivéssemos uma base descente, a competição para o ingresso no ensino público superior seria mais justa e igualitária’.

A visão de proporcionar estímulos aos que sempre estiveram em desvantagem, é bem recepcionada. Todavia, não vai importar o desempenho escolar do candidato, já que o lugar estará garantido. Nesse contexto, fica evidenciado que com a nova lei o Brasil corre um grande risco de andar mais ainda prá trás. Mas, não esqueçamos que somos o país do futebol, que é uma espécie de ópio do povo. Recentemente, vencemos a China por 8 x 0, mas na educação, permanecemos atrás no placar, muito atrás.






sexta-feira, 29 de junho de 2012

A Chaga do Brasil

Criamos um habito de discutir os problemas do Brasil, imediatamente já apontamos as soluções, na maioria das vezes culpamos o governo, o que é inerente ao nosso gênio. Acontece que, os pontos dessa discussão são muitos e, esporadicamente, encontramos a raiz do problema: a falta de educação.

Não estou aqui discorrendo sobre a qualidade do ensino do Brasil, estou falando da educação que recebemos no berço. É ela que faz o usuário do coletivo não respeitar o idoso ou a gestante que tem o direito ao assento preferencial, é ela que faz o passageiro abrir o vidro do veículo e jogar a latinha de refrigerante na rua, é ela que faz o aluno desrespeitar o professor sob o manto dos pais, é ela que ocasiona brigas em bares e em festas, é ela que provoca inúmeras mortes no trânsito. Tudo por conta da falta de educação, pronto, simples de identificar o problema, agora, porque não o solucionamos?

Ora, somos programados desde o nascimento, somos vítimas de um sistema que nos torna míopes ou até mesmos cegos diante da realidade, recebemos uma estampa de preconceitos que estão enraizados na sociedade, somos educados para operar máquinas, compartilhar a “catarata” que circula nas redes sociais e até mesmo curti-la, somos marionetes do sistema, mas, não fazemos o básico,  o que seria o antídoto da nossa sociedade.

No meu cotidiano deparo-me com inúmeras situações que me fazem visualizar quanto a nossa sociedade é mal educada. Certa vez, voltando do estágio, o coletivo que me transportava brecou em cima da faixa de pedestres, o transeunte que iniciava a travessia, indignado com o desrespeito, bateu com a mão no carro e disparou palavrões, o motorista já estressado do trânsito da grande capital, devolveu as agressões verbais, graças a Deus outra pessoa que, também, atravessava a via, conteve o nervoso pedestre e quem sabe evitou até uma lesão corporal. Tudo isso não era falta de sinalização, não era falta de espaço, não era falta de faixas, era a falta de educação no princípio do fato narrado. Isso me faz lembrar que fui educado ouvindo minha mãe dizer que, violência só gera violência, e dessa lição, aprendi que gentileza só gera gentileza.

Com esses exemplos, já é possível observar que, não basta colocar os nossos filhos em boas escolas, não baste matricularmos em boas casas de línguas, não basta presenteamos com iPads, Blackberries, iPhone, ou qualquer outro aparelho do gênero. Se não dermos a educação do alicerce, aquela que ensina a dar bom dia, a dar boa tarde, o momento de pedir licença, a jogar o lixo no lixo, a ter disciplina e respeito pelo próximo, a chaga do Brasil só vai aumentar e a vida dos nossos filhos e da sociedade migrará para a barbárie. 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Não é flor que se cheire

Cândido Norberto, jornalista, deputado do MTR (cassado), na tribuna da assembleia do RS, criticava o governador Ildo Meneghetti. Janela aberta, via-se ao lado o Palácio Piratini. Irritado com os ataques, o deputado Hed Borges, da bancada do governo, grita lá de trás :
- V. Exa., senhor deputado, já foi do PL, do PSD, do PTB, agora é do MTR. Como um beija-flor, vive pulando de flor em flor.
Cândido Norberto apontou para o palácio :
- É por isso mesmo que eu lhe digo, senhor deputado, que esse governador não é flor que se cheire.

(Nery em seu Folclore Político)

domingo, 13 de maio de 2012


                                    Mãe, Divina Criação
Nasci num ventre de amor, da mais bela criação divina. 
Estou falando da amada, Mãe, ela mesmo, Marina. 
Cresci com a melodia que todas as noites cantava.
Recebi uma boa educação, em sermões, conselhos e palmadas. 
Mãe, sei da tua fé e das tuas orações.
Sei dos teus medos e das preocupações.
Sem da difícil luta que enfrenta todos os dias.
Mas Deus esta sempre te ouvindo com a interseção de Maria. 
Tu é sinônimo de carinho, é sinônimo de amor,
quando surge algum espinho, tu transforma-o em flor.
Tu és felicidade, ternura e doação.
Tu és bela, cheia de graça, uma divina criação.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Novo Código Penal


                
              O anteprojeto do novo Código Penal vem sendo elaborado desde outubro e deve ser entregue ao Senado Federal até o fim de maio. Com as mudanças o processo por furto dependerá de representação da vítima, que não mais será ação pública condicionada, como é no momento. Com isso, a comissão pretende descaracterizar alguns furtos com o intuito de modificar o degradante cenário do sistema carcerário brasileiro. Segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional, há no Brasil 65 mil pessoas presas por furto. 

            Alguns tipos de furtos já constantes na jurisprudência foram agora lançados no modo tipificado. O novo projeto considera para fins de furto a energia elétrica, água, gás, sinal de tevê a cabo e internet ou qualquer outro bem que tenha expressão econômica, além de documentos pessoais. Uma definição de grande relevância, a meu ver, foi a de considerar que a reparação do dano, desde que a coisa furtada não seja pública, extingue a punibilidade, desde que feita até a sentença de primeiro grau e aceita pelo réu.  

              Além dessas mudanças a comissão do novo CP aprovou as seguintes propostas: o furto de veículos transportados para outro estado, aqueles cometidos em ocasião de incêndio, naufrágio e calamidade, como furto qualificado; a venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos foi criminalizada; a tipificação do tráfico de pessoas passa a se estender para os casos cuja finalidade  é de submeter a vítima a trabalho escravo e a remoção de órgãos passa a ter tipo próprio e não será mais punida como lesão corporal. Essas são as principais mudanças, propostas no anteprojeto do novo Código Penal.




sábado, 18 de fevereiro de 2012

Culto à intolerância

Por Honório Neto

Intolerância, um dos problemas mais antigos e profundamente enraizados nos dias atuais.

Hoje se cultua o egocentrismo, a disputa desleal, a busca pelo lugar mais alto, o intolerável. Observamos esse fenômeno, por exemplo, nas filas de bancos, em estacionamentos, no trânsito, nos diversos relacionamentos afetivos e na sociedade como um todo.

Paro para refletir sobre o assunto, e, presumo que a chave que pode desencadear esse excesso ou pelo menos abrir algumas portas que nos aproxime a esse fim, esteja situada no esclarecimento de que trata o filósofo Immanuel Kant no texto escrito em 1784, “O que é o Esclarecimento?”.

Necessitamos compreender, que esse problema além de estar ligado à formação do ser humano (nascemos em berços diferentes, fomos educados em ambientes distintos, se adaptarmos a sistemas diversos), tem essência fundada nas correntes que são enlaçadas no ser desde o nascimento (distinção de raça, cor, etnias e etc).

A parti do esclarecimento, que segundo Kant consiste numa condição moral e não uma coisa, e seu sentido não pode ser minorado ao saber ou conhecimento, pois é a combinação do conhecimento profundo sobre um assunto específico com a autonomia crítica do sujeito do conhecimento, o homem sai da “menoridade” e migra para a sua própria liberdade, passando a ter uma convivência saudável, com capacidade tolerável ao se deparar com certos comportamentos alheios, que de fato, prescindem de intolerância.

Nesse mesmo diapasão, é possível notar que a inclusão cultural também pode ser uma política que contribua para o fim do pré-julgamento e para uma melhor convivência. Precisamos sair da “caixa” e buscar o esclarecimento a fim de sanar essa situação que assola a sociedade ou, saltem¹, chegar ao mínimo, suficiente que possibilite a convivência saudável e mais respeitosa entre as pessoas.

1- “pelo menos” - latim

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Crack: pior do que parece ser.






 Crack: pior do que parece ser.

O crack surgiu na década de 80, nas Bahamas. Logo se espalhou pela periferia de cidades como Los ageles. Em 1988, 2,5 milhões de americanos já tinham consumido crack. No Brasil, no início dos anos 90, a droga derivada da pasta-base de coca foi ocupando calçadas e as ruas de São Paulo e logo se espalhou no território nacional. Hoje, assola mais de 90% das cidades do País.

Por que o crack vicia tão rápido?

Até agora não temos conhecimento de nada que proporcione um aumento tão grande de dopamina no cérebro, o neurotransmissor que regula a sensação de bem-estar.  Para se ter uma idéia, a comida faz aumentar o nível de dopamina no cérebro em 50%, o sexo aumenta em 100%, a cocaína em 230% e o crack em 900%. É por essa razão que o crack vicia tão rápido.

A droga trampolim para a mortal (crack) é a cocaína, muitos usuários de desta nem pensam em consumir crack, a migração se da pelo estimulo dos amigos e às vezes, o traficante está sem o pó e convida o viciado a experimentar a pedra queimada em cachimbos improvisados.

A primeira tragada marca o começo do fim. A partir delas, pobres e ricos se igualam na trajetória de autodestruição. Em três anos, a quase totalidade dos viciados estará gravemente doente, terá se envolvido em crimes e visto a família se desmantelar. No fim do quinto ano de consumo um terço deles esta morto – em geral, pelo comportamento de risco que passa a apresentar.

Se ricos e pobres se igualam na desgraça, voltam a se diferenciar ao sair dela – ou tentar sair. Evidentemente têm mais chances aqueles que pagam para se internar em boas clínicas com acompanhamento médico e psicológico. Mesmo assim, 90% dos que o fazem sofrem recaídas nos primeiros 8 (oito) meses.

O crack invadiu as famílias pobres e agora começa a se instalar na classe média.
Cabe a nós educar os nossos filhos e cobrar das autoridades políticas que revertam ou modifiquem o cenário que assombra e destrói as famílias brasileiras.

Referência: Revista Veja, edições nº(s). 3º e 4º de 2012.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Vigilância e Poder

Caros amigos, compartilho com vocês uma reportagem da serie Ser ou Ser do fantástico que versa sobre o panoptismo, trata-se de um sistema de vigilância e da punição em nosso tempo a partir do pensamento de Foucault. Veja o vídeo.


Um casal namorando, uma pessoa caída na calçada, um possível assalto. Estas são cenas captadas pelo sistema de vigilância da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo. Flagrantes que as câmeras espalhadas pela cidade gravam 24 horas por dia.
Ruas, aeroportos, lojas, bancos, escolas, casas. Do satélite à ultrassonografia, temos nossas vidas vigiadas desde o útero por olhos sem rosto. O dia-a-dia registrado como num imenso Big Brother. E o que tudo isso tem a ver com o poder? Vigilância e disciplina. Este é o assunto deste domingo.
"Meu trabalho é monitorar o trânsito da Avenida Paulista, ver tudo o que acontece: um carro quebrado, um acidente, um motoqueiro que cai. Faço isso há sete anos", conta o técnico de trânsito Luis Márcio Azevedo, da Companhia de Engenharia de Tráfego de São Paulo (CET-SP).
Ele sabe que sua profissão pode estar com os dias contados. Hoje, a CET-SP já tem 256 câmeras nos principais pontos da cidade. E a tendência é aumentar a vigilância. Mas como a vigilância pode se tornar uma forma de poder?
Depois de muitos séculos punindo através do sofrimento físico, da humilhação, a tecnologia do poder foi se aperfeiçoando, e a sociedade percebeu que era mais viável vigiar do que punir. O objetivo desta nova forma de exercer o poder era, através de uma vigilância constante, impedir que o delito fosse cometido.
A idéia que deu origem a essa espécie de "poder invisível" nasceu como um projeto de prisão no fim do século 18: o panóptico.
A intenção era "ver sem ser visto". No projeto do panóptico, as celas dos presos estavam dispostas ao redor de uma torre central, onde ficava o guarda encarregado da vigilância. Uma única pessoa podia vigiar todas as celas, sem ser notada. Os prisioneiros nunca tinham a certeza de que havia alguém olhando do outro lado e, assim, evitavam cometer qualquer erro.
Pensando no Big Brother Brasil, é como se os participantes fossem os prisioneiros e você o guarda na torre: o olho invisível que tudo vê.
Esta máquina de vigiar, que nasceu para ser uma prisão, acabou servindo de modelo para a construção de manicômios, hospitais e escolas. Mais do que isso: a idéia por trás do panóptico – "ver sem ser visto" – se transformou em uma nova forma de exercer o poder.
Com o tempo, aquele que está submetido à vigilância constante termina vigiando a si mesmo. "Eu saio de casa preocupada com o que as pessoas vão pensar, como vai ser o meu comportamento diante de uma reunião, qual a roupa. Me sinto comandada", diz a secretária Sheila Bacelar.
É como se existisse uma câmera interna capaz de vigiar por dentro nossas ações. "Por exemplo, eu sou capaz de sair com uma roupa e levar outra na bolsa. Porque se eu chegar num local e uma pessoa falar que não agradou, não ficou legal ou tem alguma coisa que não está combinando, eu corro para o banheiro e troco", conta Sheila.
E, então, com essa consciência cada vez mais autocrítica, o homem torna-se seu próprio carrasco.
"Não adianta só ser bom. Tem que ser o melhor. Como você vai saber se tem status, se é bonito ou não? Olhando para os outros", diz a estudante Ana Clara Cruz.
Esta é a forma de tortura moderna. Mas a constante vigilância que vivemos não é tudo. Mais do que vigiar, era preciso construir um sistema de poder capaz de moldar um homem passivo, útil, disciplinado. O filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) chamou este processo de "poder disciplinar".
O poder disciplinar é, antes de tudo, uma forma de organizar o espaço físico, e utiliza uma técnica que busca separar, dividir, para melhor controlar.
O plano da cidade de Brasília, por exemplo, não previa apenas prédios, construções maravilhosas.
"Brasília é um símbolo, uma tentativa de construir uma cidade produtiva, controlada do ponto de vista do espaço e do tempo, igual a uma linha de montagem", avalia o professor Cristóvão Duarte, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FAU-UFRJ). "Tem uma parte da cidade que é só habitação, outra é só trabalho e outra é só lazer".
O que todo sistema quer evitar é que as pessoas se reúnam, se organizem. Por isso, esse tipo de arquitetura procura evitar as aglomerações, distribuindo as pessoas em espaços cada vez mais isolados.
"A cidade é um local de encontro. O encontro dos diferentes. Quando essas diferenças se juntam, você tem uma explosão. O que estamos assistindo hoje é um pouco uma tentativa de neutralizar essa força, a força que vem da diferença. Como é que se neutraliza isso? Repartindo a cidade em porções iguais. Então, você só tem o encontro dos iguais", explica Cristóvão Duarte.
Quando se pensa em metrópoles como Rio e São Paulo, por exemplo, vemos essa separação nos shoppings e nos grandes condomínios: cidades dentro da cidade.
"Os ricos estão se excluindo nos condomínios fechados, se auto-exilando em bairros protegidos, murados, vigiados, como os antigos castelos medievais, como as cidadelas fortificadas", constata Cristóvão Duarte. "Acho que se Foucault estivesse vivo, ele estaria estudando a favela carioca".
Quando você ganha uma identidade, um CPF, um endereço onde recebe conta de água, luz e telefone, passa a ser um ponto no mapa capaz de ser rastreado, vigiado. Quanto mais um homem ganha cidadania, mais exposto fica à vigilância. Mas não foi isso que aconteceu com as favelas.
"As favelas foram construídas a partir do lixo, a partir de tudo aquilo que não servia mais. Viraram uma outra cidade", diz Cristóvão Duarte.
Depois de tantos anos de descaso dos governos – que não levaram saneamento básico, educação e saúde para os moradores –, as favelas foram se transformando numa espécie de território livre, fora do alcance do sistema de vigilância. Nelas, onde aparentemente reina a desordem, onde o poder não consegue dividir nem controlar, nasce uma outra forma de convivência em sociedade. 
"A favela sempre foi pensada como provisória. E aquelas casinhas são todas muito frágeis. Mas, junto com essa rede de solidariedade, ela se torna um fato permanente e indestrutível. Então, daí vem uma força que a gente não esperava", observa Cristóvão Duarte.
A vida não é possível sem controle e disciplina. Mas até onde essa vigilância deve ir?
Se antes o poder fazia valer sua força pelo sofrimento físico, pela tortura, hoje ele não tem rosto. Não é mais o rei nem o carrasco que detém o poder. Agora, ele está em todos os lugares: na arquitetura, no sistema de educação, no olhar do outro sobre nós. Quanto mais escondido, disfarçado, mais eficiente é o poder. Olhá-lo de frente, saber como atua, é uma maneira de diminuir sua força.

Fonte: http://fantastico.globo.com

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

"Legalidade e liberdade são as tábuas da vocação do advogado".

Eis alguns pontos que Rui Barbosa assinala sobre a advocacia na obra Oração aos Moços, que até hoje é um dos mais importantes textos sobre a justiça:

Legalidade e liberdade são as tábuas da vocação do advogado. Nelas se encerra, para ele, a síntese de todos os mandamentos. Não desertar a justiça, nem cortejá-la. Não lhe f altar com a fidelidade, nem lhe recusar o conselho. Não transfugir da legalidade para a violência, nem trocar a ordem pela anarquia. Não antepor os poderosos aos desvalidos, nem recusar patrocínio a estes contra aqueles. Não servir sem independência à justiça, nem quebrar da verdade ante o poder. Não colaborar em perseguições ou atentados, nem pleitear pela iniqüidade ou imoralidade. Não se subtrair à defesa das causas impopulares, nem à das perigosas, quando justas. Onde for apurável um grão, que seja, de verdadeiro direito, não regatear ao atribulado o consolo do amparo judicial. Não proceder, nas consultas, senão com a imparcialidade real do juiz nas sentenças. Não fazer da banca balcão, ou da ciência mercatura. Não ser baixo com os grandes, nem arrogante com os miseráveis. Servir aos opulentos com altivez e aos indigentes com caridade. Amar a pátria, estremecer o próximo, guardar fé em Deus, na verdade e no bem.

Parabéns pelo dia do Advogado!



segunda-feira, 18 de julho de 2011

Aluna de 22 anos afirma: "Não pago pedágio em lugar nenhum"

O texto está correndo o Brasil! LEIA:

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06/06/2011
"A Inconstitucionalidade dos Pedágios", desenvolvido pela aluna do 9º semestre de Direito da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) Márcia dos Santos Silva choca, impressiona e orienta os interessados.

A jovem de 22 anos apresentou o "Direito fundamental de ir e vir" nas estradas do Brasil. Ela, que mora em Pelotas, conta que, para vir a Rio Grande apresentar seu trabalho no congresso, não pagou pedágio e, na volta, faria o mesmo. Causando surpresa nos participantes, ela fundamentou seus atos durante a apresentação.
Márcia explica que na Constituição Federal de 1988, Título II, dos "Direitos e Garantias Fundamentais", o artigo 5 diz o seguinte:

"Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade " E no inciso XV do artigo: "é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens".

A jovem acrescenta que "o direito de ir e vir é cláusula pétrea na Constituição Federal, o que significa dizer que não é possível violar esse direito. E ainda que todo o brasileiro tem livre acesso em todo o território nacional O que também quer dizer que o pedágio vai contra a constituição".

Segundo Márcia, as estradas não são vendáveis. E o que acontece é que concessionárias de pedágios realiza contratos com o governo Estadual de investir no melhoramento dessas rodovias e cobram o pedágio para ressarcir os gastos. No entanto, no valor da gasolina é incluído o imposto de Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide), e parte dele é destinado às estradas.

"No momento que abasteço meu carro, estou pagando o pedágio. Não é necessário eu pagar novamente Só quero exercer meu direito, a estrada é um bem público e não é justo eu pagar por um bem que já é meu também", enfatiza.

A estudante explicou maneiras e mostrou um vídeo que ensinava a passar nos pedágio sem precisar pagar. "Ou você pode passar atrás de algum carro que tenha parado. Ou ainda passa direto. A cancela, que barra os carros é de plástico, não quebra, e quando o carro passa por ali ela abre.

Não tem perigo algum e não arranha o carro", conta ela, que diz fazer isso sempre que viaja. Após a apresentação, questionamentos não faltaram. Quem assistia ficava curioso em saber se o ato não estaria infringindo alguma lei, se poderia gerar multa, ou ainda se quem fizesse isso não estaria destruindo o patrimônio alheio. As respostas foram claras. Segundo Márcia, juridicamente não há lei que permita a utilização de pedágios em estradas brasileiras.

Quanto a ser um patrimônio alheio, o fato, explica ela, é que o pedágio e a cancela estão no meio do caminho onde os carros precisam passar e, até então, ela nunca viu cancelas ou pedágios ficarem danificados. Márcia também conta que uma vez foi parada pela Polícia Rodoviária, e um guarda disse que iria acompanhá-la para pagar o pedágio. "Eu perguntei ao policial se ele prestava algum serviço para a concessionária ou ao Estado.

Afinal, um policial rodoviário trabalha para o Estado ou para o governo Federal e deve cuidar da segurança nas estradas. Já a empresa de pedágios, é privada, ou seja, não tem nada a ver uma coisa com a outra", acrescenta.

Ela defende ainda que os preços são iguais para pessoas de baixa renda, que possuem carros menores, e para quem tem um poder aquisitivo maior e automóveis melhores, alegando que muita gente não possui condições para gastar tanto com pedágios. Ela garante também que o Estado está negando um direito da sociedade. "Não há o que defender ou explicar. A constituição é clara quando diz que todos nós temos o direito de ir e vir em todas as estradas do território nacional", conclui. A estudante apresenta o trabalho de conclusão de curso e formou-se em agosto de 2008.

Ela não sabia que área do Direito pretende seguir, mas garante que vai continuar trabalhando e defendendo a causa dos pedágios.

FONTE: JORNAL AGORA

Comentário: E agora, como fica a situação. Quem vai apoiar a advogada?... Ministério Público?... Movimento popular?...
Ela sozinha não vai conseguir convencer o poder constituido
.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Educação e consumo

 Ao ler o Migalhas de hoje me deparei com a seguinte informação:

"O Conar arquivou a representação feita pelo Instituto Alana referente ao comercial do Mc Donald's divulgado durante o trailer do desenho animado "Rio". Para o relator, Enio Basílio Rodrigues, "não há porque considerar que haja arranhões ao código de ética na atitude do Mc Donald's em promover seu Mc Donald's Feliz associando a possibilidade da criança consumir o alimento e adquirir o brinquedo". Em seu parecer, o conselheiro, de modo inusitado, diz que "vale a fantasia de trocarmos o nome Instituto por outro mais característico - a bruxa Alana, que odeia criancinhas". O Instituto, por seu turno, que, a propósito, realiza um seriíssimo trabalho, responde dizendo que, pela total falta de respeito com que esse caso foi julgado, não reconhece mais o Conar como uma entidade séria e legítima para garantir a ética na publicidade brasileira".
 
É evidente que o Sr. relator tem as prerrogativas de liberdade de expressão e de opinião, todavia ha excesso ao  dizer em seu parecer que vale a fantasia de trocarmos o nome Instituto por outro mais característico - a bruxa Alana, que odeia criancinhas".

Me parece que as Bruxas que odeiam criancinhas estão em grande parte dos respossáveis pela publicidade. Que não respeitam os princípios éticos e morais. Promovendo a manipulação do consumo irrefreável  das crianças.

Vale republicar no blog o trailler do documentário: "Criação a Alma do Negócio" para uma melhor Reflexão.

Assista o documentário completo: http://video.google.com/videoplay?docid=-5229727692415880368


domingo, 5 de junho de 2011

ESTÁDIO HONÓRIO MELO

Este campo que hoje está murado
Entre nós dois existe um forte elo
Pois fora um dia, por mim batizado
Como o Estádio Honório Teixeira Melo

Chegavam os times e eu lá na Voz do povo
Vamos todos ao Estádio Honório Melo
Vamos vibrar... vamos torcer...
Vamos pra frente e vencer mais um duelo

Sei que hoje o seu nome está mudado
Mas no meu peito não se rompeu aquele elo
Será sempre o meu campo adorado
Que batizei de Honório Teixeira Melo

A política, esta fera iconoclasta,
Que não tem alma e nem mesmo coração
Quando não mata, ela sempre nos afasta
Da ética e do respeito à tradição

Aquele Estádio, que hoje está murado,
Pode ser outro mas para mim não vale não
Seu nome foi ontem, será hoje e amanhã
O Honório Melo ou até mesmo o Honorão

Mas outro nome eu jamais aceitarei
Por um respeito ao consuetudinário
De Honório Melo eu sempre o chamarei
Chamá-lo de outro!? É um ato arbitrário

E assim sendo dignifica a tradição
Os costumes, a ética e a moral
Conservado lá no âmago do meu íntimo
A pureza de um valor sentimental

E quando os "hoje" nos 'ontem" se tornarem
E em nosso andar surgirem os amanhãs
Este Estádio será sempre o Honório Melo
No coração dos seus verdadeiros fãs.
  
Heldenir Mesquita

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Dívida judicial poderá ser paga com cartão de crédito ou débito

CNJ quer agilizar execução de processos; projeto começa este ano pelo TRT do Pará.
A partir de outubro, o Tribunal Regional do Trabalho do Pará inaugura um projeto-piloto para usar máquinas de cartão de crédito e débito em sessões de conciliação judicial. A ideia é simples: havendo consenso entre as partes, o pagamento é imediato. Até o ano que vem, o CNJ ( Conselho Nacional de Justiça ), idealizador do projeto, espera que a prática esteja em pleno funcionamento em toda a Justiça brasileira. A CEF (Caixa Econômica Federal) e a Redecard são parceiras do projeto. A ideia tem por objetivo resolver um dos maiores problemas do Judiciário brasileiro: o congestionamento de processos de execução. Os dados mais atuais do CNJ , relativos a 2009, mostram que, de cada cem casos resolvidos definitivamente pela Justiça comum do país, pouco menos de 30 são de fato executados naquele ano. Hoje, quando as partes entram em acordo, o pagamento de uma dívida é feito manualmente, por meio de depósitos bancários. Quando a dívida é parcelada, o caso só é arquivado após o pagamento total. Se ocorre atraso, novos processos judiciais são criados. Com as máquinas de cartão, assim que o pagamento for aprovado e o recibo for impresso, o processo estará imediatamente encerrado. ;Se o devedor não pagar, ele terá de se entender com o banco, e não com a Justiça ;, diz o juiz-auxiliar da Corregedoria do CNJ , Marlos Augusto Melek, autor do projeto.

Fonte: Folha de São Paulo

terça-feira, 26 de abril de 2011

"Entre Tantos"

Entre tantos encontros não nos encotravamos
Entre tantos olhares não nos avistávamos
Entre tantos laços, nunca estivemos tão atados
Em carinho, em troca, afeto, no amor... 
Entre tantos outros
Entre tantos anos
Que sorte a nossa, heim?
Entre tantas paixões

Entre tantos momentos, vivo intensamente
Esse encontro, nós dois, esse amor...

Correio ou Correios?


1) Um leitor pergunta qual a forma correta: correio ou correios?
2) Para bem situar a questão, importa observar que, na origem, correio era um mensageiro, um indivíduo que portava mensagens.
3) No decorrer dos tempos, passou a significar também o sistema de comunicação que pressupõe um intercâmbio de mensagens, feito especialmente por meio da troca de correspondência entre as pessoas.
4) Em seguida, por metonímia, passou, de igual modo, a abranger a repartição onde se operam as trasladações de correspondência entre os usuários desse sistema.
5) Apenas para não estender em demasia estas considerações, anota-se que, também por metonímia, passou a significar o prédio, o edifício que abriga esse tipo de repartição.
6) Com essas considerações, com tantos significados, ora querendo dizer uma unidade, ora com a acepção de uma pluralidade, vê-se que não há como vedar a possibilidade de uso do vocábulo correio tanto no singular quanto no plural, conforme o sentido que se lhe quiser dar.
 
Fonte: www.migalhas.com.br

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Alienação Parental


Resolvi expor um pouco sobre alienação parental, um comportamento muito freqüente que merece nossas considerações. Mas o que significa alienação parental? A alienação parental é a rejeição do genitor pelos seus próprios filhos, esse comportamento normalmente é provocado pelo guardião que detêm a guarda sobre eles. Esta guarda única permite ao genitor, o poder de fazer monopólio do controle sobre a pessoa do filho, como um ditador, de modo que ao realizar esse poder externo, desequilibra o relacionamento entre os pais em relação ao filho. O Fenômeno se  caracteriza quando, de todo modo, o genitor guardião que quer se vingar do ex cônjuge, através da condição de superioridade que detêm, tentado fazer com que o outro progenitor ou se dobre as suas vontades, ou então se afaste dos filhos.
Segundo dados oficiais do IBGE 91% dos casos, as Mulheres têm a guarda dos filhos,  suscita ao nosso ver que a maior incidência de casos de alienação parental é causada pelas mães, podendo, contudo ser motivada também pelo pai, dentro dos 9% restantes.
Portanto, o compartilhamento parental na criação dos filhos, anularia essa “síndrome”, origem da alienação, trazendo a solução para este e vários outros problemas conseqüentes da guarda única.Pais, se notarem que os seus filhos estão sendo vítimas da alienação parental, denuncie!

Para melhor identificar, pesquisei algumas situações que demonstram o risco de rejeição:

• ...”Cuidado ao sair com seu pai . Ele quer roubar você de mim”...
• ...”Seu pai abandonou vocês “...
• ...”Seu pai não se importa com vocês”...
• ...”Você não gosta de mim!Me deixa em casa sozinha para sair com seu pai”...
• ...”Seu pai não me deixa refazer minha vida”...
• ...”Seu pai me ameaça , ele vive me perseguindo”...
• ...”Seu pai não nos deixa em paz, vive chamando no telefone”...
• ...”Seu pai tenta sempre comprar vocês com brinquedos e presentes”...
• ...”Seu pai não dá dinheiro para manter vocês”...
• ...”Seu pai é um bêbado”...
• ...”Seu pai é um vagabundo”....
• ...”Seu pai é desprezível”...
• ...”Seu pai é um inútil”...
• ...”Seu pai é um desequilibrado”...
• ...”Vocês deveriam ter vergonha do seu pai”....
• ...”Cuidado com seu pai ele pode abusar de você”...
• ...”Peça pro seu pai comprar isso ou aquilo”...
• ...”Eu fico desesperada quando vocês saem com seu pai”...
• ...”Seu pai bateu em você , tente se lembrar do passado”...
• ...”Seu pai bateu em mim, foi por isso que me separei dele”...
• ...”Seu pai é muito violento, ele vai te bater”...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Presença Forte

Presença forte em mim, eu posso dizer habitas aqui.
O amor de Deus, move minha vida, 
no tempo de Deus, tudo fica em forma. 
Os milagres não cessam, 
A cada contato uma confirmação do te amor incondicional, 
que me rege, 
me consola
me anima.
É como um fogo abrasador,
que inflama o coração.
Uma caminhada de vitórias,
me alegra e me conduz à agradecer,

Senhor, quero caminhar contigo, 
quero te adorar,
quero te contemplar,
e viver a luz que vem do teu olhar.

sábado, 12 de março de 2011

Direitos Humanos: Direito de Bandido?


É corriqueiro ouvir das pessoas que os direitos humanos foram feitos para criminosos. Talvez isso se der pelo  fato de que os criminosos também são humanos e também têm direitos. Os direitos huamnos são os direitos e liberdades básicos de todos os seres humanos. A Declaração Universal dos Direitos Humanos afirma isso em seu artigo 1º.

"Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade." 

Portanto todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. O bandido poderá até ser privado de sua liberdade, mas é pessoa e porta dignidade.
É de grande valor deixar claro que o movimento pelos direitos humanos tem um objetivo muito mais grandioso do que a questão dos direitos dos presos. Existem outras questões de direitos humanos que estão sendo trabalhadas com muita luta, como: o racismo, a exclusão social, a educação, o trabalho infantil, o acesso à moradia, o direito à saúde, a questão da desigualdade de gênero, entre outras. Por mais que os direitos humanos sejam de todos é natural que os mais frágeis tenham mais amparo, o que acaba formando um conceito falacioso, equivocado de que, os direitos humanos apenas se preocupa com os direitos do preso, deixando de lado os direitos dos demais.